O que é o ascetismo e como ele te ajudará a economizar

Todos nós sabemos que não possuímos total controle sobre nossas ações. Muitas vezes não somos capazes de manter nossas promessas, realizar nossos compromissos ou agir quando sabemos ser necessário. As sociedades antigas também perceberam isso, e desde então a humanidade tenta desenvolver práticas para “domar” o que temos de mais selvagem, fazendo com que a nossa razão impere.

Foi com esse objetivo que surgiu o ascetismo, termo que, na época, se referia a qualquer forma de disciplina ou filosofia prática, mas que atualmente diz respeito principalmente à linha de pensamento que nos ensina a nos distanciarmos dos prazeres e do luxo para que possamos adquirir uma maior espiritualidade.

O ascetismo na sua origem

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Foto por rawpixel.com em Pexels.com

Primeiramente precisamos lembrar que, quando o ascetismo surgiu, as pessoas não dispunham de quase nenhuma das facilidades que temos hoje. Não havia carro, colchão de mola, ar condicionado ou supermercados. Assim, era normal que as pessoas andassem muito, passassem bastante calor, dormissem no chão ou em lugares extremamente desconfortáveis e não comessem a quantidade que comemos hoje.

Ainda assim, algumas pessoas que buscavam uma iluminação espiritual tornavam sua vida ainda mais difícil com práticas ascéticas, ou seja, abstendo-se de prazeres e vivendo de forma austera. Por isso essas pessoas utilizavam o jejum, faziam votos de pobreza e castidade e muitas vezes castigavam o próprio corpo com instrumentos como o cilício. Até hoje muitos vivem na clausura voluntária ou praticam outros atos ascéticos como forma de, se restringindo, chegarem além.

Por que praticar o ascetismo

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Foto por Gratisography em Pexels.com

O objetivo dessas práticas é basicamente disciplinar o corpo para que a alma (ou a razão) ganhe mais força. Assim, pessoas religiosas podem praticar atos de ascetismo para que fique mais fácil viver de forma virtuosa e santa, mas essa não é uma prática restrita às religiões. Qualquer um pode adotar práticas ascéticas para que não seja mais dominado(a) pelas próprias vontades. A ideia é: quando mostramos ao nosso corpo e aos nossos desejos que eles não podem ser satisfeitos o tempo todo, eles são disciplinados e deixam de predominar em nossa vida.

Para entender melhor, pense naquele mês em que você quer economizar, mas não consegue porque acaba comprando algo, mesmo sabendo que não devia; ou quando não consegue manter a dieta; ou quando conta aquela fofoca porque não pode se segurar. Nós precisamos reconhecer que há, dentro de cada um de nós, uma criança mimada que muitas vezes toma o controle e faz coisas que nós, racionalmente, não gostaríamos de fazer.

Assim como uma criança, quanto mais satisfazemos as vontades desse nosso lado infantil, mais ele se fortalece e age independentemente do que nossa racionalidade deseja. Ao contrário, se limitamos essa nossa face, nosso lado racional torna-se mais forte e obtemos mais controle sobre nós mesmos.

Precisamos nos atentar para a sociedade em que vivemos: temos mais facilidades disponíveis do que nenhuma outra geração jamais teve, mas ainda não nos sentimos satisfeitos. O consumismo e o marketing se baseiam justamente nisso: em alimentar nossa vontade de ter mais o tempo todo, sem que isso jamais tenha fim. Por isso o celular que compramos no ano passado já não serve mais, nosso carro de 5 anos que continua funcionando perfeitamente não nos satisfaz e, se bobear, nem a pessoa com quem casamos: porque queremos sempre mais, mesmo tendo muito mais do que precisamos. O ascetismo vai na contramão disso, fazendo com que lidemos com o desconforto e descubramos nossa força de vontade.

Como praticar o ascetismo

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Foto por bruce mars em Pexels.com

Precisamos nos lembrar que, quando ascetas como os faquires dormiam sobre pregos, a vida já era muito difícil e o nível de conforto era mínimo. Assim, para que eles sentissem desconforto a ponto de disciplinar seu corpo e seus desejos, era necessário que passassem por situações extremas. Imagine se disséssemos para essas pessoas que hoje não conseguimos passar um dia longe do celular! Elas certamente achariam um absurdo, pois viviam sem as condições mínimas de conforto que temos hoje.

Portanto, se antigamente era preciso jejuar por semanas ou utilizar instrumentos que feriam a pele para sentir o desconforto necessário para a prática ascética, hoje basta que pulemos uma refeição, ou tomemos banho gelado, ou mesmo que fiquemos um dia sem ligar a TV para sentirmos que nossos desejos não estão sendo satisfeitos. O objetivo não é sentir um desconforto extremo e muito menos prejudicar a saúde, mas simplesmente praticar atos que vão contra nossos desejos.

Se você quiser praticar o ascetismo, escolha algo que te faz um pouco de falta (não comece com coisas muito difíceis) e obrigue-se a passar um tempo sem ela: pode ser o celular, a tv ou mesmo sentar-se no sofá. Mesmo com pequenas atitudes, conseguimos dominar nossas vontades e nos acostumamos com a frustração de não ter tudo o que queremos. Assim, fica cada vez mais fácil para que a nossa razão e nosso senso de responsabilidade ganhem a luta contra nossos desejos.

Ou seja…

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Foto por Pixabay em Pexels.com

No mundo em que vivemos, de consumismo desvairado, de natureza dando lugar a mais fábricas, de uma imensa quantidade de lixo tecnológico sem ter para onde ir, talvez seja a hora de procurarmos formas de dominar essa criança mimada que vive em nós. Talvez este seja o momento de voltar a práticas antigas, não de caminhar sobre o fogo, mas de limitarmos nosso desejo e nosso prazer em prol de coisas mais importantes.

Enquanto continuarmos buscando o prazer e fugindo da dor, nossos desejos continuarão ganhando força e prejudicando não apenas nós, mas a sociedade e o meio ambiente em que vivemos. Aprender a lidar com o sofrimento é requisito essencial para quem quer ser feliz de fato. Além disso, será que não vale a pena limitarmos nosso desejo em prol do bem comum – inclusive do nosso?

 

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