Não viva a vida que você pode

Ultimamente é comum ouvirmos falar sobre a importância de viver a vida. Por todos os lugares as pessoas são estimuladas a gastar dinheiro, viajar… enfim, a usufruir de todos os prazeres possíveis. As justificativas para esse estilo de vida são muitas: na velhice não poderemos aproveitar, nós merecemos porque trabalhamos, não vale a pena guardar dinheiro para os outros gastarem depois; e o resultado é o que vemos por aí: pessoas que gastam tudo o que ganham para ter a vida mais confortável possível. Assim que passam a ganhar um pouco mais, aumentam também o consumo, sempre buscando a ” melhor vida” que podem ter.

Não acreditamos que essa seja a única, tampouco a melhor forma de lidar com o dinheiro e de viver a vida, sendo preferível vivermos sempre um degrau abaixo das nossas possibilidades. A seguir você confere alguns motivos para que pensemos assim.

Valorizemos a liberdade

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Foto por Pixabay em Pexels.com

Nesse blog falamos muito sobre liberdade, pois entendemos que é um dos maiores valores que possuímos. A existência do Consumo de Valor está fundada no objetivo de libertar as pessoas da prisão do consumismo e torná-las livres em todos os sentidos. Não é isso que acontece, entretanto, quando gastamos exatamente toda nossa renda (ou até mais) para sustentar nosso estilo de vida.

Como já falamos por aqui, nosso dinheiro tem muito mais valor do que estamos acostumados a atribuir, e o mercado sabe disso melhor do que ninguém. Quando vivemos “com a corda no pescoço”, “vendendo o almoço para pagar a janta”, não trabalhamos por nós, mas pelo mercado. Gastamos nossa energia e nosso tempo em troca de uma vida que não nos permite nenhuma margem para mudanças, ou seja, sem liberdade. Não podemos fazer nada além do rotineiro porque toda nossa renda já tem destino certo e necessário; assim, não podemos ajudar quem precisa, guardar um dinheiro para o futuro, nem comprar um produto que realmente precisamos. Aceitar viver no máximo de conforto que podemos é concordar em darmos sempre tudo o que temos em troca de coisas que nem sempre melhoram de fato nossa vida.

Quanto mais temos, mais precisamos

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Foto por Nathan Cowley em Pexels.com

Você já reparou que nós nunca estamos totalmente satisfeitos com a nossa situação? Esse fato, utilizado pelo marketing para nos estimular a comprar cada vez mais, decorre da nossa condição natural de seres humanos e talvez nunca mude. Precisamos aceitar isso para que consigamos nos manter num certo nível de vida que entendemos ser suficiente. Sem isso, caímos num círculo vicioso de não apenas queremos mais, mas realmente precisamos de mais.

Temos que entender que nossa carência, aquela lacuna que sentimos em nossa existência, talvez nunca seja satisfeita, ou pelo menos aceitar que não o será com bens materiais. Ao invés disso, o que ganhamos conforme adquirimos mais conforto é apenas mais problemas e necessidades. Por exemplo: um imóvel espaçoso pode nos trazer muito bem estar, nos oferecendo ambientes adequados para cada atividade; entretanto, se a residência é grande demais para os que lá vivem, a sensação de adequação se transforma em opressão, tristeza e vazio. Sem contar que inúmeros problemas acompanharão o novo imóvel: a necessidade de contratar e manter empregados, uma maior preocupação com segurança, já que é mais visado… enfim, conforme satisfazemos necessidades, outras surgem.

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Foto por rawpixel.com em Pexels.com

Como dissemos, não há como negar esse processo ou esperar que ele não ocorra, mas podemos sim escolher como queremos viver e até quando atenderemos nossas vontades. Talvez continuar com a mesma vida que você leva hoje, mesmo tendo recebido aumentos e promoções, constitua sim um pouco de sofrimento, mas não se iluda achando que viver sem sofrimento algum é uma opção. Somos seres insatisfeitos e assim continuaremos, mas podemos ter a responsabilidade de controlar até onde essa insatisfação nos levará.

Não conhecemos o amanhã

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Foto por rawpixel.com em Pexels.com

A razão mais óbvia para viver sempre um degrau abaixo do que podemos é o nosso desconhecimento acerca do futuro. Já falamos sobre a importância de guardar dinheiro e sobre como é um ato de amor e caridade conservarmos uma reserva financeira. Não sabemos se nós ou outras pessoas próximas precisarão de dinheiro no futuro e é por isso que se faz imperativo destinar parte da nossa renda para lidar com esses imprevistos. Quem vive no máximo conforto acaba gastando tudo que recebe para manter os gastos atuais e, consequentemente, não consegue estabelecer essa segurança mínima. Assim, quando algo acontece, precisa se endividar ou pedir para outras pessoas que o ajudem, muitas vezes onerando terceiros apenas porque quis “aproveitar a vida ao máximo”. Abrir mão de algumas coisas hoje para ter uma maior segurança no futuro é um ato de responsabilidade.

Mas não é só isso que o futuro pode nos reservar. Precisar de um montante de dinheiro é difícil quando não se tem uma reserva, mas pior ainda é quando somos forçados a diminuir nosso nível de vida. Quando já nos acostumamos a certo grau de conforto, fica complicado retroceder e voltar à situação anterior, que abandonamos aliviados. Por outro lado, se vivemos abaixo das nossas possibilidades, num período de dificuldade financeira conseguimos manter a mesma vida, sem precisar cortar gastos, pois temos uma “folga” financeira. Novamente abrindo mão de pequenas satisfações no presente, garantimos certa segurança de não passar por uma insatisfação muito maior no futuro.

Ou seja…

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Foto por rawpixel.com em Pexels.com

Nossas necessidades básicas devem sim ser atendidas, afinal de contas, é para isso que trabalhamos. Não precisamos, porém, viver com o máximo de conforto que nossa renda permite, pois precisamos ter como valores a segurança e a vida além dos bens materiais. O segredo da felicidade não está em ter cada vez mais, mas em sentir-se cada vez mais satisfeito com o que se tem.

4 comentários sobre “Não viva a vida que você pode

  1. Como sempre ótimas reflexões! Para mim saber viver com menos e dar valor as pequenas coisa é a chave da felicidade. O celular ou o carro do ano só te dá uma felicidade momentânea. Os momentos passados com a família não tem preço! É um caminho longo, mas sou grata por estar percorrendo ele!

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