O patriotismo no consumo

Essa semana celebramos a semana da pátria, com o feriado de independência do Brasil. Infelizmente o clima não é de comemoração, frente ao cenário caótico da política brasileira e, mais recentemente, à tragédia que assolou o Museu Nacional. Mais do que a revolta pela situação atual ou a vontade de deixar o Brasil, porém, é em momentos como esse que devemos demonstrar nosso amor e devoção pelo país.

Acreditamos ser urgente a retomada do nosso carinho e esperança no Brasil, sem o que continuaremos a não nos levar a sério e a sermos cada vez mais roubados pelos nossos próprios nacionais, que contam com o descaso dos cidadãos para com a nação. Uma das formas mais eficazes de praticarmos nosso patriotismo é no dia a dia, com a mudança de certas crenças e hábitos que nos afastam cada vez mais do país que desejamos. Hoje falaremos como essa mudança pode ocorrer através da nossa forma de consumo, contribuindo para que prestigiemos mais nosso lindo Brasil.

Mude seu ideal de consumo

 

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Foto por freestocks.org em Pexels.com

A globalização nos trouxe muitas coisas boas, entre elas o acesso à cultura de outros países. Sabemos, porém, que essa influência muitas vezes é mais forte do que deveria, nos fazendo desejar e forçar a adoção de hábitos culturais que não se adequam à nossa realidade. Um deles, bastante prejudicial, é o hábito de consumo norte-americano. O fato de que o brasileiro consome sobretudo a cultura estadunidense não é novidade para ninguém. Fazemos de tudo para nos parecermos cada vez mais com os americanos, deixando de lado nossos traços culturais e até de aparência. Queremos ser como eles, falar como eles e… consumir como eles.

Com uma economia completamente diferente da nossa, os norte-americanos são conhecidos pelo seu consumo exagerado, focando em produtos de baixa qualidade para sustentar a excessiva quantidade que eles desejam consumir. Marcas de fast food, fast fashion e todo tipo de produto rapidamente descartável são desenvolvidas lá e vendidas para todo o mundo, inclusive para o Brasil. Perdendo apenas para a China no ranking dos países mais poluentes do mundo (lembrando que boa parte da produção fabril chinesa é sustentada por marcas americanas), os EUA talvez seja o pior país que deveríamos pegar como exemplo de consumo.

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Foto por bruce mars em Pexels.com

Enquanto tivermos essa obsessão por copiar estilos de vida que não condizem com a nossa realidade, continuaremos na mesma situação: endividados, vivendo sem sentido e odiando nossa pátria. Chega de olhar para “a grama mais verde do vizinho”! Se quisermos ser felizes no país em que nascemos, precisamos aceitar nossa situação e valorizar o que temos. Desejar um consumo exacerbado é desejar nos tornarmos como eles, acabar com a nossa natureza e nos sentirmos inferiores para sempre. Paremos de nos americanizar e valorizemos nossa música, nossa cultura e nossa gente! Olhemos para nossa riqueza natural, muito maior do que eles podem imaginar. Sentir orgulho da própria terra é o primeiro passo para consumir de forma realista e saudável.

Consuma produtos nacionais

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Foto por Pixabay em Pexels.com

 

Se você andar por qualquer mercado nos Estados Unidos vai perceber que a propaganda sobre produtos amazônicos é grande. Toda a aura natural que envolve as matérias-primas do nosso solo atraem os estrangeiros e repelem os nacionais. Da mesma forma acontece com as marcas: para nós, se é importada, é boa; se é brasileira, é ruim. Até quando viveremos com esse complexo de inferioridade?

Já falamos indiretamente sobre a importância de consumir das pequenas marcas e agora acrescentamos: consuma do nacional! Empreender em nosso país é uma das tarefas mais difíceis com que alguém pode se comprometer por aqui e são esses corajosos que empregam pessoas, que ajudam no sustento de inúmeras famílias e aquecem a economia inclusive com exportações. Através dessas marcas nosso nome é levado para fora de forma positiva, são oferecidas soluções para problemas práticos da nossa realidade e todo nosso país é valorizado.

Consideremos os produtos nacionais como sendo em parte nossos, feito pela nossa gente e com os nossos recursos. Consumindo esses produtos nós valorizamos o talento do brasileiro e sua utilização no crescimento do próprio país.

Ajude seus irmãos

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Foto por Pixabay em Pexels.com

Talvez a questão mais importante do patriotismo seja a noção de que cada brasileiro é nosso irmão. Enquanto virmos nosso vizinho como concorrente e alguém a quem desejamos o fracasso, nenhum de nós crescerá. Da mesma forma devemos ter um olhar fraterno aos que vivem em situações precárias em nosso país, pois mesmo os que moram no extremo oposto do Brasil são nossos irmãos, enquanto brasileiros como nós.

As ações sociais, de caridade e amor ao próximo nos fortalece enquanto cidadãos e como nação. Se todas as pessoas do mundo são nossos semelhantes, ainda mais quem vive e sofre (às vezes mais do que nós) as mazelas do nosso país. Façamos pelos de fora, mas também pelos brasileiros. Tenhamos um olhar de compaixão aos que sofrem dormindo na nossa rua. Às vezes é mais fácil cuidar dos que estão longe exatamente porque eles não estão na frente do nosso prédio, nos incomodando com a sua presença; mas é justamente a esses que devemos mais cuidados, pois eles são ainda mais próximos de nós, são nossos nacionais e irmãos.

Ou seja…

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Foto por Florencia Potter em Pexels.com

Se nos olharmos como irmãos, como nacionais da mesma pátria, seremos capazes de melhorar o Brasil e construir a nação forte que merecemos. Deixaremos de seguir modismos trazidos de fora, idolatrar celebridades que nada tem a ver conosco, desejar o fracasso de nosso vizinho e passaremos a valorizar o que o Brasil e o brasileiro tem de bom, desejando e compartilhando o sucesso dos nossos compatriotas, que em parte é nosso sucesso também.

Deixaremos de reclamar do nosso país e passaremos a amá-lo, trabalhando em prol dele e não apenas do que desejamos para nós. Lembraremos que nossa pátria é feita também dos menos favorecidos, que não podem ser esquecidos pelos nossos governantes ou por nós. Aliás, escolheremos nossos governantes com base no que é melhor para o nosso país, e não para que o nosso ponto de vista e nossos desejos prevaleçam.

Só assim seremos uma verdadeira nação, forte e estável como as que tanto invejamos: se pararmos de olhar para fora e começarmos a ajudar quem, como nós, compõe essa nação tão sofrida, mas com tanto potencial; nosso amado Brasil.

Foto de destaque por Rawku5 em Freeimages.com

6 comentários sobre “O patriotismo no consumo

  1. ótimo texto!
    isso é uma coisa que tento fazer, sempre que possível compro as coisas que preciso das lojas do meu bairro, perto de casa. Acaba saindo o mesmo preço se você levar em consideração que vai a pé, e economiza gasolina e estacionamento 🙂

    Curtido por 2 pessoas

    1. Com certeza, sem contar que contribui para que continuem ali, né? Muitas vezes reclamamos que não encontramos certos produtos perto de casa, mas quando novas empresas se estabelecem por lá não consumimos por ser mais caro. Façamos a nossa parte! 😉😉

      Curtido por 1 pessoa

  2. Simplesmente fantástico👏👏👏 Fiz um vídeo sobre os questionamentos do minimalismo e estou montando um sobre os questionamentos do consumo consciente e um dos tópicos é justamente esse: Reaclamamos tanto que o Brasil está ruim de emprego, q a economia não está boa, mas pq não valorizamos os artesãos, micro empresários brasileiros e produtos nacionais no geral? Nosso povo é tão criativo, temos tanta riqueza, basta trazer o olhar para dentro como vc mesmo disse. Mil vezes parabéns pelo post💖

    Curtido por 1 pessoa

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