Quando comprar pela marca?

pexels-photo-974902.jpegAdquirir marcas consagradas é um desejo comum, mas nem sempre vale a pena. Reconhecemos o valor delas e sabemos que desenvolver e perpetuar um nome no mercado não é tarefa fácil; exige muito empenho e uma coesão de ideias e valores que é muito difícil de conseguir. As marcas consagradas, muito mais do que vender produtos, representam ideias e estilos de vida diferentes.

Entretanto, cada vez mais as marcas são vendidas como necessárias, como pressuposto essencial para transmitirmos a imagem de quem somos. Nas lojas, alcançam preços astronômicos; quem adquire seus produtos, mesmo após um tempo de uso, ainda consegue vendê-los, tamanha é a procura por quem não pode pagar o valor normal; e também encontramos produtos falsificados, para quem deseja comprar o nome, mas não tem capacidade financeira para tanto. Ou seja: a marca ganha uma importância que vai além do próprio produto, alcançando todos os que acreditam precisar dela. Hoje trataremos desse assunto, a fim de esclarecer quando vale a pena comprar um produto pela marca.

O problema

pexels-photo-462383.jpegA reflexão a respeito do valor das marcas em nossas vidas é cada vez mais importante, já que, através dos meios de comunicação, somos atingidos o tempo todo por hábitos de consumo distantes dos nossos, mas vendidos como naturais. Isso faz com que pessoas comprometam seu orçamento na busca por esses produtos e tenham sua liberdade cada vez mais tolhida pela noção de necessidade vendida por eles. Por isso começaremos rebatendo alguns argumentos utilizados pelos que supervalorizam as marcas.

Quem você é cabe numa marca?

pexels-photo-979599.jpegPrimeiramente é preciso tratar de uma questão crucial sobre as marcas: a imagem que elas passam. Como já dissemos, quando bem construídas, elas formam e transmitem um conjunto coeso de ideias que identifica quem as usa. Ao utilizar um produto de nome, automaticamente passamos uma imagem bem delineada e predefinida de quem somos, o que pode ser considerado uma vantagem em determinadas situações.

Por outro lado, entendemos que a imagem de uma pessoa é complexa demais para ser transmitida por um conceito fechado como o de uma marca. Além disso, ainda que existisse uma que nos representasse perfeitamente, é importante lembrar que essa não é a única forma de transmitirmos essa ideia. A marca, enquanto representante da nossa identidade, é apenas uma opção no vasto leque do que podemos usar.

Dessa forma, reconhecemos o valor de identidade da marca mas não concordamos com a limitação a ele. Sabemos que, com um pouco de criatividade, é possível obter a imagem desejada com artigos mais baratos que não nos reduzirão a um conceito tão pobre.

Você precisa fazer parte desse grupo?

pexels-photo-296881.jpegAlém disso, se a marca representa um determinado tipo de pessoa (como as de sucesso normalmente fazem), ela faz muito mais sentido para adolescentes em formação do que para indivíduos adultos e completos. Ao lembrarmos de nossa juventude, identificamos diversas marcas que faziam sucesso: as dos skatistas, das patricinhas, dos rockeiros e de inúmeras outras tribos. Nessa fase da vida, quando estamos nos descobrindo e formando nossa identidade, o sentimento de pertencimento a um grupo é essencial. Mesmo após passar por diversos grupos, o adolescente monta, com características de cada um, o seu estilo próprio, a sua identidade de indivíduo formado.

Na fase adulta, porém, essa necessidade de um grupo fechado já não faz sentido, já que a identidade do indivíduo é complexa demais para se encaixar nele. É aí que questionamos o valor de uma marca para uma pessoa adulta: será que você, enquanto indivíduo completo e complexo, quer pagar caro para ser jogado(a) na vala comum e superficial de meros “clientes”?

Quando comprar pela marca?

woman holding card while operating silver laptop

Após essas reflexões, chega a hora de dizermos que sim, podemos adquirir um produto com base na sua marca, mas essa deve ser uma decisão objetiva, diante de situações práticas e sem que visem nos representar subjetivamente.

Qualidade

Em um mundo ideal, a qualidade mínima dos produtos seria requisito básico para sua comercialização; a veríamos como algo natural e essencial, e não como diferencial, como ocorre hoje. Mas infelizmente é com esse mundo real que estamos lidando; nele, a maioria dos produtos são descartáveis e duram o mínimo possível, para que rapidamente estejamos novamente nas lojas, consumindo mais e mais.

close up photo of three sweatshirts

Frente a esse cenário, as marcas muitas vezes aparecem como uma “garantia de qualidade”, nos oferecendo produtos duráveis e confiáveis. Através do tempo de vida dessas empresas, que normalmente não é pequeno, percebemos que elas se esforçam para entregar bens de qualidade e construímos uma relação de confiança. Essa relação muitas vezes justifica a compra de um produto pela marca.

Num mundo em que a qualidade é deixada de lado, nós, consumidores conscientes, sabemos do seu valor e muitas vezes aceitamos pagar mais por isso. Assim garantimos peças boas e que duram muito mais tempo, o que gera inúmeros benefícios como economia de dinheiro e de recursos naturais, pois consumimos menos e melhor.

Responsabilidade socioambiental

ground group growth hands

Outro motivo que nós, praticantes do Consumo de Valor, temos para adquirir produtos de determinada marca é o reconhecimento da responsabilidade socioambiental daquela empresa. Sabemos que muitas companhias utilizam de trabalho escravo, processos não sustentáveis e visam o lucro sem pensar na sociedade e no ambiente em que vivemos. Por outro lado, certas marcas são conhecidas por promover ações e implementar processos importantes para a sustentabilidade.

Assim como construímos uma relação de confiança com marcas que entregam qualidade, devemos também prestigiar as que tratam o planeta e a sociedade com respeito. Devemos procurar essas informações antes de adquirir qualquer coisa de uma marca e fugir das que não possuem seus processos à mostra e não agem com honestidade com seus clientes e colaboradores. Assim contribuímos para construir um mercado mais ético e transparente.

Ou seja…

photo of woman near clothes

Como sempre dizemos por aqui, as empresas não precisam visar apenas o lucro para terem lucro. Da mesma forma, nós, consumidores, devemos sim prestigiar as marcas que entregam valor, produtos de qualidade e se preocupam com o seu entorno, pois assim motivamos outras empresas a agir da mesma forma.

Uma coisa que devemos ter em mente, porém, é que não precisamos de marca nenhuma para falar por nós; somos indivíduos e podemos construir nossa imagem melhor do que qualquer empresa pretende fazer. Por isso, não comprometa mais do que pode da sua renda para comprar um produto, não se apegue à imagem vendida e comprada pelos outros e tenha sempre em mente quem você é.

As marcas têm seu valor, mas ele nunca é maior do que a sua individualidade e sua saúde financeira e mental. Consuma menos, melhor e não compre nada que não seja condizente com quem você é e quer ser.

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