Faça, mesmo sem vontade

Vivemos uma onda de “trabalhe com o que você ama“. Essa ideia é muito boa e valoriza um aspecto importante na escolha de uma profissão, mas não deve ser levada ao extremo. Se antes os que trabalhavam com criatividade e com a internet, por exemplo, eram mal vistos, hoje o alvo de discriminação são as pessoas com empregos ditos “chatos”, tradicionais, que são vistas como coitadas ou como quem não teve a capacidade de seguir sua paixão.

Ao escolher uma profissão ou nos dedicarmos a uma atividade, a prioridade deve ser sobre o que gostamos, mas isso não ocorre com tudo que fazemos. Embora seja sempre preferível trabalhar com o que amamos, essa infelizmente não é a realidade de todos. Além disso, mesmo quem pratica sua paixão passa por momentos de desânimo e/ou precisa realizar certas atividades que não são tão gratificantes quanto o trabalho como um todo. Por isso é preciso relativizar esse ideal e aceitar que muitas vezes teremos que realizar atividades que não gostamos, mesmo sem vontade.

As responsabilidades no mundo adulto

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Depois de algum tempo vivendo no “mundo adulto” já sabemos que é preciso muito esforço para chegarmos a algum lugar, que nada vem de graça e que só tem sucesso (ou seja, só chega aonde deseja) quem faz a sua parte. Apesar disso, muitas vezes nos deixamos levar pela preguiça e não somos capazes de fazer pequenas coisas que mais tarde nos permitirão chegar aonde desejamos.

Talvez uma das maiores dificuldades da vida adulta seja entender e lidar com a ausência de alguém para nos cobrar, nos manter na linha e nos lembrar das nossas responsabilidades. É preciso aceitar que nós temos de ser nossos principais carrascos quando se trata de fazer alguma coisa contra a vontade, o que é imensamente difícil. Entretanto, se não conseguimos cumprir esse papel e nos motivar (ou mesmo nos obrigar), deixamos de atender responsabilidades que são muito mais importantes do que as da infância, pois delas depende, muitas vezes, a vida de outras pessoas.

Na vida adulta o egoísmo deve ir embora e dar lugar a uma noção de responsabilidade muito maior, com o desenvolvimento da capacidade de automotivação de cada um. Nada disso é fácil nem suficiente para nos fazer agir da forma correta sempre, mas a consciência sobre nossa situação nos ajuda muito a agir frente às obrigações, pois enquanto esperarmos que alguém nos motive, continuaremos estagnados e prejudicando quem depende de nós.

A ressignificação

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Saber que, como adultos, estamos sozinhos frente às responsabilidades e que, por isso, precisamos nos motivar é importante, mas muitas vezes não é suficiente para nos fazer agir; por isso acreditamos que a solução está em ressignificar, ou seja, ver as atividades chatas como integrantes de algo maior. Muitas vezes o ato de ir ao banco, desagradável na maioria das vezes, pode significar renegociar uma dívida que precisa ser paga para que você comece a jornada rumo a uma vida financeira saudável, por exemplo; pesquisar preços antes de comprar algo significa poupar e ajudar seu patrimônio a crescer; fazer uma limpa e analisar seu guarda-roupa é o que te fará gastar menos com roupas e construir seu estilo de forma inteligente.

Ninguém faz nada (ainda mais algo chato) à toa, por isso é importante entender que todo ato, mesmo o menor deles, faz parte de um conjunto maior, de um objetivo maior. Toda jornada tem seus altos e baixos, e é preciso passar por todos eles para chegar ao fim dela. Reconhecer a viagem em cada ponto de parada nos lembra aonde queremos chegar e nos dá força para isso.

A convicção

pexels-photo-979599.jpegInfelizmente o processo de ressignificação pode não dar certo se não tivermos convicção sobre o que buscamos. No momento em que precisamos fazer algo chato, que não queremos, é fácil ver nosso objetivo maior como muito longe ou até impossível de ser alcançado. Nossa mente nos prega uma peça: nos convence de que nunca chegaremos aonde desejamos apenas para que não precisemos agir agora.

É por isso que dificilmente temos sucesso quando vivemos a vida imposta pelos outros: porque não temos a convicção necessária para nos manter na linha e superar essa estratégia da nossa mente para nos manter parados. Quando analisamos quem somos e o que realmente queremos, por outro lado, chegamos a objetivos que fazem sentido em nossa vida, e a partir daí fica muito mais raro tomarmos o caminho mais fácil.

Apenas o autoconhecimento, de que tanto falamos aqui, é capaz de nos levar aonde queremos, pois apenas ele nos mostrará que lugar é esse. A partir do momento em que nos entendemos e sabemos o que tornará nossa vida melhor para nós, somos capazes de agir, fazendo todo o necessário para nos tornarmos quem queremos ser (inclusive as coisas mais chatas).

Não leve tão a sério

pexels-photo-944762.jpegNossas responsabilidades são sérias e delas dependem outras pessoas, mas isso não nos transforma em super heróis. Junto a tudo o que falamos, é necessário sempre uma dose de leveza para que consigamos levar a vida. Todos falham e se entregam à preguiça e ao egoísmo de vez em quando. Embora busquemos nos aperfeiçoar e cair nesses vícios cada vez menos, precisamos aceitar quando isso acontece.

Nos conhecer não significa apenas saber aonde queremos chegar, mas também reconhecer nossas dificuldades e falhas, pois enquanto não as aceitarmos, não poderemos mudá-las. Por isso não se preocupe tanto: não conseguiu cumprir todas suas responsabilidades, não deu conta do que precisava fazer? Amanhã será um novo dia, com uma nova oportunidade de fazer melhor. Quem sabe você encontre significado naquela atividade, aprenda a gostar daquilo ou apenas faça sem vontade: nada nem ninguém é perfeito, o que importa é que nos esforcemos para sermos sempre melhores do que ontem.

8 comentários sobre “Faça, mesmo sem vontade

  1. Nosso próprio cérebro acaba jogando contra nós mesmos, evitando fazer algo que esteja fora da zona de conforto, mas reclamando lá na frente por não obter resultados diferentes, é quase um ciclo que depende de novas atitudes para ser quebrado.
    Ótimo post.

    Curtido por 2 pessoas

  2. Otimo post, Adorei! Percebo que muitas vezes deixamos de desfrutar de nossas responsabilidades porque temos dificuldade em encontrar prazer nas coisas, encarando tudo sempre de maneira pesada…e quando mudamos nosso olhar sobre nos mesmos e o que possuimos, tudo se transforma!!

    Curtido por 1 pessoa

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