A impermanência

Falaremos hoje sobre um assunto que permeia o pensamento humano há muito tempo: a impermanência. Representada no tarô pela roda da vida, que segue girando e alterando as coisas no tempo, e presente na maioria das religiões de uma ou outra forma, a impermanência, de modo simples, é o fato de que tudo muda independentemente da nossa vontade.

Passamos por ciclos, encontramos alegrias e tristezas e muitas vezes nos percebemos num lugar em que nunca nos imaginaríamos. A própria vida é impermanente, já que a única certeza que temos é a morte. Nascemos, crescemos e morremos e, durante esse processo, passamos pelas mais variadas situações. A impermanência é uma realidade em nossa vida e, embora pareça assustadora à primeira vista, da reflexão sobre ela podemos extrair muita coisa boa.

A ausência de controle

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Uma das coisas mais claras quando pensamos na impermanência é a impossibilidade de controle total sobre as situações. Se entendemos que a vida é feita de altos e baixos, reviravoltas e mudanças, fica mais fácil abrirmos mão da tentativa de controle sobre tudo. Compreendemos que essa tentativa é uma ilusão e que, embora possamos nos esforçar para manter tudo nos eixos, a vida é feita de engrenagens tão sutis que, combinando-se de determinada forma, produz resultados que não podemos prever.

Isso não significa que não devemos nos esforçar e planejar o futuro, mas que esse planejamento deve estar sempre aberto às surpresas do caminho. Essa compreensão nos ajuda a focar no momento presente, no que podemos fazer hoje para o futuro que pretendemos ter. Sabendo que não podemos prever o futuro, nos esforçamos para construir o possível no momento em que estamos vivendo.

O desapego

person holding wine glass near clear shot glasses

A impermanência nos lembra de que não somos nada, apenas estamos de determinada forma hoje. Nesse caso, não faz sentido falarmos em status ou ostentação, já que entendemos que a riqueza é um estado que, como qualquer outro, pode passar. Da mesma forma entendemos que os objetos materiais não são nada, mas que podem nos servir para quem somos hoje. Assim, se eles não nos servem, não importa seu valor monetário: eles não possuem valor para nós.

Assim fica mais fácil praticar o Consumo de Valor: nos desapegamos do que temos para focar em quem somos e no nosso crescimento. Aceitamos que até quem somos é impermanente e que, portanto, podemos mudar e nos aprimorar.

A aceitação das dificuldades

man standing on brown rock cliff in front of waterfalls photography

Se sabemos que estamos em constante mudança, é óbvio que não faz sentido nos julgarmos pelos nossos erros. Embora não tenhamos controle sobre o nosso futuro, sabemos que a mudança é inevitável e que, portanto, podemos nos esforçar para ir pelo caminho que escolhemos, mas não há garantia de acertos. Da mesma forma aceitamos que as dificuldades fazem parte do que não controlamos, o que nos torna mais fortes para passarmos por elas e

nos leva cada vez mais próximos do nosso ideal.

Ao mesmo tempo, não ficamos tão assustados com a felicidade e o sucesso, pois sabemos que mesmo eles não são permanentes. Aceitamos as alegrias que a vida nos dá sem que isso altere nossos valores, pois sabemos que nada é garantido e que nosso status e destaque não diz muito sobre quem somos, mas sobre o momento em que vivemos agora.

O aprimoramento

dawn sunset beach womanSe nossa situação é impermanente e não possuímos muito controle sobre o futuro, entendemos que nossa única opção é focar no presente e no que podemos fazer hoje para que, quem sabe, cheguemos perto do futuro que pretendemos. Nos esforçamos para sermos melhores a cada dia e compreendemos que o

caminho é mais importante que o destino.

Damos valor ao que vivemos e somos gratos pelos lugares aos quais a inconstância da vida nos leva. Não nos cobramos pela perfeição nem nos conformamos em continuarmos iguais, mas usamos o tempo que temos e as situações em que nos encontramos para construir valores e influenciar o mundo positivamente.

Ou seja…

barefoot beach blur break

Embora a inconstância seja difícil de se encarar, pois traz inseguranças e nos mostra que não temos garantia nenhuma de que tudo dará certo, ela nos lembra de que o futuro é escrito um dia por vez e que cada aspecto da nossa vida influencia na grande engrenagem que nos leva a um lugar ou outro.

Entendendo este conceito conseguimos focar em viver o presente e nos esforçar para sermos melhores hoje; perdoamos as nossas falhas e as dos outros e compreendemos que a grande beleza beleza da vida está na sua imprevisibilidade e na possibilidade de nos aprimorarmos cada dia mais. Com essa visão somos capazes de levar a nossa vida da forma como entendemos ser melhor, com o mínimo de influência externa e certos de que fazemos o possível para tornar o mundo um lugar um pouco melhor.

7 comentários sobre “A impermanência

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