As mulheres e o consumo de valor

As mulheres estão mudando o mundo; muitas lutaram, dentro e fora do Brasil, para conquistar os direitos de que gozam hoje, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido. O “sexo frágil” continua na luta para libertar o mundo de preconceitos, culturas e ideias prejudiciais há muito tempo instaladas e cultivadas em nossa sociedade; dentre elas, uma das maiores vilãs do nosso tempo é, sem sombra de dúvida, a cultura do consumo.

Sabemos que por muito tempo as mulheres foram compelidas a trabalhar apenas dentro de casa, servindo à família sem que pudessem aproveitar seus talentos no mercado de trabalho. Eram obrigadas a servir ao marido, cuidar das crianças e ainda eram vistas como frágeis e incompetentes para ganhar dinheiro. As mulheres que trabalhavam fora seguiam carreiras predeterminadas, como enfermeiras, professoras ou cuidadoras, e ganhavam muito menos que os homens.

Essa realidade foi alterada: após muita luta, encabeçada por mulheres fortes e revolucionárias, finalmente temos um cenário em que as mulheres podem se aventurar em carreiras antes vistas como tipicamente masculinas, como a engenharia e as carreiras militar e policial; ademais, quase a totalidade das mulheres hoje trabalha fora nos mais variados setores. Além dessas grandes conquistas, o sexo feminino vem ocupando cada vez mais espaço na sociedade; por isso, hoje falaremos sobre como o Consumo de Valor pode auxiliar as mulheres a se empoderar.

A autoestima

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Sabemos que uma das estratégias mais utilizadas pelo mercado para fazer com que as pessoas consumam é o ataque à autoestima; sabemos também que, nesse contexto, não há alvo mais visado do que as mulheres. Desde pequenas as meninas são ensinadas a ter vergonha do seu corpo, desejar a aparência de famosas e se comparar de forma qualitativa e sempre se vendo como pior.

O fato de tantas mulheres patrocinarem o rentável mercado de estética certamente é explicado (senão inteiramente, pelo menos em boa parte) pelo investimento que este faz na depreciação do corpo feminino natural. Vemos diariamente propagandas sobre várias formas de intervenção, sempre vendidas como necessárias e inofensivas, enquanto na realidade ajudam a espalhar o preconceito, a rejeição e a aversão a características diferentes e naturais.

Quando praticamos o Consumo de Valor aprendemos a não nos deixar levar pelas imposições do mercado e a defender o que acreditamos; aumentamos nossa autoestima porque passamos a nos conhecer e a nos reconhecer como pessoas de valor que merecem a felicidade como qualquer outra, resultado não alcançado nem com o mais caro tratamento de beleza.

A sororidade

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Outra estratégia que o mercado utiliza para aumentar o consumo do setor feminino é a incitação à competição entre as mulheres. Também aplicada desde a infância, a ideia de que toda mulher é uma concorrente é difundida entre as meninas, fazendo com que elas se vejam com hostilidade e lutem (especialmente através do consumo) para que se destaquem com relação às outras.

O Consumo de Valor prega a solidariedade e o auxílio ao próximo porque entende que cada um segue seu próprio caminho; ninguém compete verdadeiramente com ninguém, considerando que cada um é um indivíduo único, com ideias e experiências únicas. A consequência disso é a chamada sororidade, ou seja, a união entre as mulheres, independentemente de julgamentos preconcebidos.

Quando as mulheres se entendem como seres completos e únicos, são capazes de olhar para a outra sem os preconceitos e a competição que foram ensinadas a cultivar. Respeitam a forma de ser da outra e se esforçam para que ela tenha espaço para viver como preferir. Assim, ganham força para continuar a luta pela igualdade de direitos e liberdades.

A liberdade

woman stands on mountain over field under cloudy sky at sunrise

As mulheres hoje são livres para trabalhar em qualquer empresa e função. Apesar das dificuldades que ainda existem, têm acesso a cargos que pagam muito bem e, por isso, têm cada vez mais autonomia financeira. Mas existe a mesma liberdade no momento de gastar o fruto do seu trabalho? Em outras palavras: quem toma as decisões de consumo da mulher de hoje?

Antigamente o homem era responsável pelo dinheiro da família, por ganhá-lo e gastá-lo. Se as mulheres estão no mercado de trabalho conquistando salários cada vez maiores, quem está decidindo onde gastá-lo? Sabemos que, assim como acontece com os homens, grande parte dessa decisão é tomada pelo mercado, deixando as mulheres tão subjugadas quanto eram antes.

Para atingir a verdadeira liberdade é preciso que as mulheres se conscientizem do valor do seu dinheiro e que gastem de acordo com o seu desejo e sua necessidade, e não seguindo a imposição do mercado. Apenas quando existe autonomia de consumo há real autonomia financeira, pois não basta trocar de patrão: é necessário tomar as rédeas da própria vida e do próprio consumo para ter liberdade.

O empoderamento

woman on rock platform viewing city

A luta ainda não acabou. Não basta que as mulheres trabalhem fora, é preciso que gastem seu dinheiro com o que realmente as façam felizes; não basta que tenham acesso a tratamentos que prometem beleza, é preciso que reconheçam a beleza natural que possuem, ainda que queiram mudar alguma coisa; não basta que se reconheçam como especiais, é preciso que vejam em cada mulher um ser livre, completo e único e que respeitem essa diferença.

Que todas as mulheres alcancem uma boa autoestima, pratiquem a sororidade e conquistem a liberdade merecida, para que se empoderem e cheguem cada vez mais perto da situação sonhada por tantas que vieram antes: um cenário de igualdade, respeito e admiração entre todos os seres. Estamos também nessa luta!

2 comentários sobre “As mulheres e o consumo de valor

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