Como deixar de se sentir frustrado por não comprar

Todos que acompanham o blog compartilham um desejo: o de consumir melhor. Queremos nos tornar mais conscientes de onde gastamos nosso dinheiro, porquê e como melhorar essa relação entre nós e o consumo. Nós acreditamos que é possível consumir melhor sem partir de afirmações absolutas, sem nos utilizar do “isso pode, isso não pode”. Lutamos para ajudar cada um a descobrir o que faz sentido em sua vida e como o consumo pode trazer mais felicidade, ao invés da frustração que muitas vezes sentimos.

Mas ninguém disse que esse caminho seria fácil. A alteração de hábitos é muito difícil, e a mudança de paradigmas talvez seja ainda pior. Por isso trazemos hoje uma dica de ouro para quem está trilhando esse caminho: atrelar o consumo consciente com o ato de poupar.

A compensação

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Já falamos sobre alguns benefícios de poupar dinheiro, mas hoje queremos apresentar essa prática como aliada direta na nossa caminhada pelo Consumo de Valor. A ideia é simples: facilitaremos a diminuição do consumismo utilizando um mecanismo de compensação. Mas o que é isso?

Chamamos de mecanismo de compensação toda atitude que é realizada graças a um desprazer, mas que gera… prazer! Imagine, por exemplo, que você se depara com um item numa loja e sente muita vontade de comprá-lo, mas você faz a análise de compra e percebe que ele não deve ser adquirido naquele momento, embora seu desejo seja muito forte. Muitas vezes acontece de seguirmos a razão, irmos embora sem levar o produto, mas sentindo um desprazer enorme, né? Pois bem, é justamente aqui que entra o mecanismo de compensação!

O desprazer que nós sentimos por não comprar um item desejado infelizmente não é suprimido pelo simples fato de sabermos que fizemos a coisa certa. O desejo frustrado causa um grande desagrado, mas pode ser compensado pela satisfação de outro desejo. Para realizar essa compensação nós temos várias opções: comer, nos entregar à preguiça, beber e tantas outras atividades que nos geram prazer. Entretanto, as opções citadas não trazem nada de positivo para nossa vida e, portanto, devem ser substituídas por uma que, além de acontecer automaticamente toda vez que você deixa de comprar algo, te ajuda na construção de um futuro mais seguro: o ato de poupar.

Como fazer

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Primeiramente, é crucial que você entenda a importância de poupar dinheiro. Não estamos aqui indicando a poupança ou qualquer outro tipo de investimento; a princípio, queremos apenas que você entenda que guardar dinheiro debaixo do colchão ainda é melhor do que gastar com algo que não muda sua vida para melhor (apesar disso, não guarde dinheiro no colchão, por favor).

Depois de realmente compreender que guardar dinheiro não é coisa de gente mesquinha que só pensa em bens materiais, mas de quem não se importa em ter menos bens materiais para ter mais segurança financeira para si mesmo e sua família, chega a hora de… poupar! Não importa a quantia nem onde você a aplique, o importante é começar a guardar dinheiro!

Ainda que seja apenas o que você deixou de gastar em cada análise de compra, se você poupar por um tempo, verá sua reserva aumentando! Certamente depois de um tempo você começará a analisar até os seus custos fixos, para poupar cada vez mais. Não importa quanto dinheiro você consiga guardar, o segredo é como você olha para ele: se você poupar R$100,00 por mês, por exemplo, no final de um ano terá R$1.200,00; pode não ser grande coisa, mas são mil e duzentos reais a menos que você precisará ganhar! Tenha em mente quanto vale o seu dinheiro e que cada centavo guardado é um centavo a menos que você precisa ganhar para ter a sua segurança financeira!

É aí que reside a mágica: a construção da sua reserva financeira não precisa ser apenas uma consequência da diminuição do seu consumismo, mas pode ser um auxiliar nesse processo! Cada desejo de compra não satisfeito (que gera desprazer) é um desejo de crescimento financeiro conquistado (o que gera prazer)! Você educará sua mente para perceber que cada compra que você deixa de realizar não é uma perda ou uma frustração, mas uma conquista!

Estamos dizendo que será sempre fácil? Não. Que o prazer de poupar sempre será maior do que desprazer de não comprar? Não. Mas com certeza ele será cada vez maior até chegar ao ponto em que você nem sentirá mais o desprazer por não levar um item para casa, mas apenas a alegria por guardar um dinheiro que te deixará mais perto da liberdade financeira. Comece poupando, sinta-se feliz com cada centavo a mais na sua reserva, e aos poucos essa mentalidade será automaticamente incorporada na sua forma de consumir.

É preciso equilíbrio

pexels-photo-374845.jpegEsse mecanismo de compensação deve ser utilizado apenas como um auxílio para o nosso desejo de consumir melhor. Ele é poderoso, funciona muito bem, mas não deve ser levado ao extremo. Devemos sempre praticar o Consumo de Valor, ou seja, analisar nossa vida e o que faz sentido para ela. Poupar e construir um patrimônio é muito importante e deveria ser muito mais incentivado em nosso país consumista; entretanto, não podemos esquecer de que a vida é muito mais do que só poupar: é preciso viver, e para isso, precisamos gastar dinheiro.

Utilizemos a construção da nossa reserva financeira como auxiliar na prática do Consumo de Valor, mas não deixemos que ela tome conta da nossa vida. Nosso trabalho – e, consequentemente, nosso dinheiro – deve servir a nós, e não o contrário. Isso significa que não podemos viver para pagar contas e comprar itens desnecessários, mas também significa que não devemos viver apenas para juntar dinheiro.

O Consumo de Valor prega, antes de tudo, o equilíbrio e o autoconhecimento, para que cada um entenda a importância de cada coisa em sua vida e viva de acordo com o seu entendimento, livre das imposições de quem quer que seja.

O consumismo como compensação

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Sobre o assunto, cabe ainda outra reflexão: agora que você entendeu como funciona o mecanismo de compensação, pare e pense se o consumismo vem funcionando na sua vida como compensação de alguma coisa.

Muitas vezes sentimos vontade de comprar quando estamos tristes, frustrados ou vulneráveis. Reflita se aquela necessidade de estar sempre com roupas novas não é uma compensação para a insegurança; ou se o hábito de presentear seu filho toda vez que você sai não é uma tentativa de compensação da culpa por não estar com ele. Todos nós adotamos esses mecanismos, por isso o objetivo não é nos julgar, mas refletir sobre eles e sobre a sua causa.

Talvez nesse processo de autoconhecimento você perceba que não há motivo para se sentir tão triste, culpado(a) ou inseguro(a). Somos o que somos: seres imperfeitos, mas que vivem em busca do aprimoramento constante. Enquanto estivermos andando em frente, estamos bem.

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