A vida que eu quero ter

Quem nos acompanha sabe que o Consumo de Valor pretende ajudar as pessoas a consumirem melhor, ou seja, a consumirem coisas (bens, experiências e até sentimentos e ideias) que tragam algo de positivo para suas vidas. Para que isso ocorra, nesse blog trazemos reflexões que auxiliam no processo de ressignificação  do consumo. Em outras palavras, nosso objetivo é apresentar textos que façam com que nossos leitores reflitam sobre sua forma de consumir e seu olhar frente ao mundo.

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Se nos comprometemos a incentivar reflexões, fica claro que não trazemos aqui nenhuma verdade absoluta (nem acreditamos que elas existam). Também é possível entender que, para que essa mudança aconteça, é preciso uma dose de autorresponsabilidade e de vontade de mudar de cada um que deseja se tornar uma pessoa melhor.

Mas o que é “ser melhor”? Assim como não existem verdades absolutas, também não há um estilo de vida ou uma meta que seja boa para todos. É preciso que cada um de nós pense sobre quem é e quais são seus valores para que chegue à conclusão de quem deseja se tornar e quais são seus objetivos. Entretanto, quando pensamos sobre “a vida que queremos ter” corremos o risco de cair numa cilada cujo resultado é chegar a um lugar que não faz sentido para nós ou não chegar a lugar algum.

O desejo

pexels-photo-720815.jpegSempre falamos por aqui sobre o nosso desejo e como ele é manipulável e, portanto, não confiável. O marketing existe porque é possível – e relativamente fácil – fazer com que desejemos coisas específicas. Por isso o pensamento sobre “a vida que desejamos ter” não é confiável: afinal de contas, quem não quer ser milionário, viver numa mansão, ter carros de luxo com motoristas e desfrutar de férias no Caribe enquanto o dinheiro cai na conta (sabe-se lá de onde)?

Dá para perceber que a reflexão sobre a vida que QUEREMOS ter é muito abstrata e pouco prática, né? Isso significa que chegar até ela é quase impossível, considerando que focamos apenas nos fins e não nos meios de como fazer. Se eu quero um dia ter uma família grande, morar numa mansão e ter meus filhos estudando nas melhores escolas, de que adianta eu pensar nisso sem refletir sobre como eu chegarei lá?

E o mais importante: o quanto eu estou disposto a atingir esses objetivos? Eu espero que tudo isso aconteça com um milagre, ganhando na loteria ou algo do tipo, ou estou disposto a fazer tudo isso acontecer, sabendo que exigirá um esforço imenso sem garantias de sucesso?

A vida que eu estou disposto a ter

pexels-photo-592940.jpegTodos sabemos que nada vem de graça. A ideia de ficar rico sem esforço é irreal, assim como a conquista de qualquer outra coisa, seja no plano financeiro, amoroso, pessoal ou profissional sem que lutemos para isso. Embora esse fato seja de conhecimento geral, muitas vezes adotamos ideias que o jogam por terra e nos fazem acreditar que somos tão especiais que um dia simplesmente teremos tudo na mão, ainda que não façamos nada para conquistar essas coisas, apenas porque um dia as desejamos.

Por isso acreditamos que uma reflexão que deve ser mais incentivada é aquela sobre qual vida nós estamos DISPOSTOS a ter. Quando pensamos nesses termos, treinamos nossa mente para pensar nos meios e não apenas nos fins. Devemos parar de pensar nas metas finais e de nos visualizar naquela casa legal, com os filhos que queremos ter? É claro que não, essas imagens nos dão força para o que precisamos fazer agora; mas o foco deve ser sempre: o que precisamos fazer agora para um dia chegar lá? Pois sem isso, nunca conseguiremos, não importa o quanto queiramos.

O caminho

pexels-photo-979599.jpegViu como uma simples mudança de ponto de vista pode alterar toda nossa reflexão e postura frente à vida? E não é só isso: essa questão que parece tão simples – que vida eu estou disposto a ter – traz outros benefícios. Um deles é que nos induz a admirar e agradecer por cada conquista da nossa jornada, o que já demonstramos ser muito importante.

Quando escolhemos a imagem ideal de nossa vida futura com base na questão “que vida eu estou disposto a ter”, escolhemos o caminho que iremos traçar, o caminho que faz sentido para nós. Focando nos meios de conseguir o que desejamos e na jornada, fica mais difícil cairmos no engano de escolher uma profissão, uma atividade ou um companheiro com o qual não nos identificamos (o que muitas vezes nos leva ao objetivo final mas o torna desprovido de felicidade ou sentido).

Os valores

pexels-photo-235554.jpegAlém disso, essa escolha consciente do caminho que iremos trilhar nos permite a integridade de nossos valores. Se desejamos alcançar um resultado que, até onde sabemos, só é possível através de atividades que violam nossos valores, abriremos mão desse desejo sem culpa, sabendo que ele não era condizente com quem somos e queremos ser. Não entraremos em atividades não condizentes conosco, mesmo que queiramos o resultado que elas oferecem.

Tudo isso porque não focamos na vida que queremos ter, mas na vida que estamos dispostos a ter. Talvez queiramos ser reconhecidos como bem sucedidos, mas não estejamos dispostos a praticar nenhuma atividade que tire nosso sossego, porque valorizamos a tranquilidade. Talvez desejemos ganhar muito dinheiro mas não estejamos dispostos a ter um negócio porque valorizamos a segurança de um salário. Em outras palavras, fica muito mais fácil não entrar na onda de desejos impostos pela sociedade quando entendemos que o que desejamos para o final da nossa vida depende completamente da jornada que trilhamos.

Ou seja…

pexels-photo-573238.jpegA reflexão sobre nossa vida e o que desejamos a longo prazo é extremamente importante para que um dia cheguemos lá, mas ela deve ser sempre dependente do que estamos dispostos a enfrentar. Com o foco na vida que aceitamos ter até atingir nosso objetivo final fica mais fácil não nos comprometermos com estilos de vida inadequados a nós nem termos de abrir mão dos nossos valores.

A jornada fica mais fácil porque foi previamente visualizada e aceita (ainda que surjam imprevistos e mudanças), enquanto a meta final nos mantém firmes em nosso propósito. Quando atingirmos a vida que desejamos e olharmos para trás, saberemos que mantivemos nossa integridade e aproveitamos o caminho, pois a luta sem uma meta final não persiste, mas a meta sem o planejamento de acordo com nossos valores não tem o menor sentido.

9 comentários sobre “A vida que eu quero ter

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