Como calar a sociedade

Uma das maiores dificuldades na prática do consumo de valor é calar as influências externas: propagandas, familiares, amigos. O consumismo é tão arraigado em nós que, mesmo sem percebermos, tentamos atender as expectativas que ele nos coloca e cobramos o mesmo de quem está ao nosso redor.

Embora seja difícil, é essencial que cada um escute apenas o que vem de dentro para que possa perceber o que é melhor para si. Enquanto dermos atenção às influências externas, não seremos capazes de entrar em contato com a nossa essência e continuaremos utilizando o nosso dinheiro (fruto do nosso suor) para consumir o que os outros desejam.

Cientes da dificuldade de ignorar as influências externas, trouxemos algumas dicas que te ajudarão nessa empreitada que, apesar de difícil, é extremamente necessária.

Saiba quem você é

girl-sitting-water-jetty-395713.jpegUm pilar do consumo de valor é o autoconhecimento: para consumirmos bem precisamos nos conhecer, pois apenas sabendo das nossas características e necessidades podemos avaliar o que é bom para nós. Isso implica em nos desapegarmos das ideias preconcebidas, entendendo que não há receita pronta quando tratamos de vidas e de indivíduos.

Sofremos a influência de muitas ideias preconcebidas através de propagandas, expectativas alheias, enfim: tudo que é trazido até nós para que adotemos determinada conduta (para que compremos algo, que gostemos disso ou que odiemos aquilo). Para combater esse tipo de interferência, devemos nos lembrar de que somos indivíduos e de que, apesar de já termos dependido de pessoas para absolutamente tudo (até para nos alimentar), na idade adulta devemos ser confiantes o suficiente para termos nossos próprios gostos, crenças e desejos.

heartsickness-lover-s-grief-lovesickness-coupe-50592.jpegTodos nós compartilhamos certas necessidades que são inatas e fazem parte da natureza humana, mas além dessas, de subsistência, nenhuma outra existe simplesmente porque “tem que existir”. Nossas necessidades dependem de quem somos, de como é a nossa vida e do que queremos para nós; por isso não faz sentido adotarmos carências alheias (e consumir de acordo com elas).

Entre as noções que precisamos abandonar também estão as características que não necessariamente fazem parte de nós, mas que adotamos durante a vida. São as qualidades negativas que desenvolvemos para fazer parte de um grupo, para nos identificar com alguém ou até para suprir o que acreditamos ser a expectativa dos outros. Quem nunca disse ou ouviu alguém dizer que era “consumista como o pai” ou “teimoso como a mãe”? Ou procurou fazer alguma coisa porque todos daquele grupo faziam?

Assumimos características que não são nossas por motivos externos, mas precisamos nos livrar delas se quisermos nos conhecer e viver a nossa vida. Isso não significa negar nossos defeitos, mas, se eles realmente existem, assumir a responsabilidade pela existência e pela modificação deles, se assim desejarmos. Nenhuma mudança ocorrerá enquanto não nos conhecermos e nos comprometermos com quem queremos ser.

Foque nas suas metas

person-woman-eyes-face.jpgUma das coisas que nos motivam a ir em frente são as metas que estabelecemos, mas elas não podem ter qualquer forma: devem ser realistas e ter prazo determinado. Outro ponto importante quando tratamos desse assunto é que não é suficiente estabelecer uma meta de longo prazo; é preciso que tenhamos alvos intermediários que nos permitam, a longo prazo, alcançar a finalidade que desejamos. Dessa forma, transformamos a jornada até nosso sonho em um caminho recheado de pequenas realizações e sucessos, o que nos motiva a ir cada vez mais longe. Essa motivação em busca de nossas metas nos faz focar no que queremos para a nossa vida, tornando mais difícil o desvio do nosso trajeto pela influência externa.

É claro que nenhum caminho deve ser imutável. Conforme novas informações e situações chegam até nós, devemos ser capazes de analisar e ponderar se vale a pena desviar do que havíamos traçado. A diferença é que, quando temos nosso alvo bem definido, somos capazes de analisar essas potenciais mudanças com foco e objetividade. Assim não sofremos influência sobre quem somos, mas aproveitamos as opiniões externas para fazer uma autoavaliação e ajustar nossa vida em torno do que desejamos alcançar.

Tenha paciência

pexels-photo-888899.jpegSe queremos ser pessoas melhores, devemos exercitar nossa paciência e compreender que muito do que vem de fora vem com boas intenções, embora não necessariamente nos sirva. Quando lembramos da força do mercado na sociedade entendemos que as pessoas que tentam nos influenciar provavelmente são apenas uma engrenagem desse sistema e estão sob o jugo dele.

A maioria das pessoas acredita no mercado e vive uma vida consumista e sem significado. Absorve toda informação que chega sem pensamento crítico nem desconfiança e por isso repete as mesmas crenças, como foi ensinada a fazer. Se percebemos que a tentativa de influência vem de uma pessoa que nos quer bem, vale a pena ter paciência e tentar explicar nosso ponto de vista. Devemos nos lembrar de que muitas vezes erramos, mesmo querendo ajudar. Mesmo que essa explicação não seja suficiente para que a pessoa nos compreenda, podemos seguir com a nossa vida sabendo que fizemos a nossa parte, não espalhando mais ódio no mundo.

Desconfie

pexels-photo-262103.jpegCom os que nos querem bem é importante agir com paciência, mas nem todas as opiniões vêm dessas pessoas. É necessário um grau de desconfiança sobre quem deseja “meter o bedelho” em nossa vida porque muitos são mal intencionados. Sabemos que o mercado é campeão em derrubar nossa autoestima e fazer com que nos sintamos inferiores e tristes, o que muitas vezes é usado pelos que não desejam nosso bem.

Pessoas que vivem no mundo do consumismo e da ostentação normalmente são materialistas e medem o sucesso e a felicidade pela quantidade e preço dos bens que possuem. Por isso tendem a ser pessoas invejosas, que desejam o que é nosso para alcançarem a nossa felicidade.

Na medida do possível, devemos manter distância desse tipo de gente que exala veneno na forma de “opiniões” ou até “conselhos”. Se for realmente necessária a convivência com essas pessoas, é necessário vestirmos uma espécie de “armadura” para que não sejamos contaminados. Nada do que sai da boca de pessoas tóxicas deve ser levado em consideração: são fruto de inveja e raiva e não nos acrescenta em nada.

Ou seja…

pexels-photo-396947.jpegNós seremos muito mais felizes se tivermos autoconhecimento e conseguirmos absorver apenas as opiniões das pessoas que nos querem bem, mas mesmo essas devem ser filtradas por uma análise que combina: quem somos, onde queremos chegar e como trilharemos esse caminho.

Ninguém é capaz de chegar a lugar nenhum sozinho, mas seguir a opinião dos outros sem reflexão nos levará a um destino certo: a vala comum e medíocre dos que possuem muito, mas não são ninguém.

2 comentários sobre “Como calar a sociedade

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