Os rótulos e suas consequências – ENTREVISTA com Larissa Vaiano, d’O Poder da Gravata

Sabemos que o consumismo atua em diversas áreas de nossas vidas, vendendo inclusive ideias e crenças no que chamamos de mercado de ideias. Parte dos produtos negociados nesse mercado são os rótulos, ou seja, padrões adotados pela sociedade de consumo que têm como objetivo classificar as pessoas, dividindo-as em grupos sobre os quais impõe pensamentos, aparências e padrões de consumo.

Hoje temos o prazer de receber uma youtuber que, com muita generosidade, irá compartilhar sua visão a respeito desse assunto. Seu nome é Larissa Vaiano e ela é a idealizadora d’O Poder da Gravata, canal que trata da vida repleta de consumo de valor que ela leva.

1- Larissa, nós vemos padrões sendo vendidos o tempo todo, padrões de beleza, de consumo… você acredita que existam padrões absolutos?

Eu acredito que a gente está vivendo uma transformação no que hoje é considerado padrão, independente do que estamos falando. A internet está contribuindo de uma forma muito positiva para isso porque nós podemos escolher os conteúdos que consumimos e as pessoas que seguimos. Claro que quem tem que fazer esse filtro do que ver na internet somos nós. Mas a partir do momento que fazemos essa escolha consciente do tipo de conteúdo que consumimos, a nossa visão com relação aos padrões que são impostos para nós pode mudar.

É claro que os padrões existem e eles ainda são muito fortes hoje: ser magra, ter as roupas da moda, ter o celular de última geração ainda são coisas que vemos constantemente em muitas mídias. Mas diferente de antigamente que o que consumíamos era imposto por mídias gigantescas, como canais de televisão e revistas, hoje a gente tem os canais de youtube e blogs que nós encontramos filosofias e ideais muito diferentes daqueles que um dia foram apresentados para nós.

2- O consumo de valor prioriza a liberdade e a pluralidade e, por isso, vê como prejudicial a adoção de rótulos e padrões preestabelecidos. Você acredita que eles podem nos prejudicar? Como?

Eu não gosto de rótulos. Inclusive tenho um vídeo no meu canal que fala sobre a prisão dos rótulos. Acredito que é importante a gente encontrar grupos que a gente se encaixe e acredite nos ideais. Eu mesma me identifico demais com minimalismo, com o feminismo e com o vegetarianismo. Independente de bons rótulos ou não, todos são rótulos. E quando a gente se coloca dentro de uma caixinha fica muito difícil de estarmos abertos para as coisas que estão fora dela.

E isso não significa que se você se considera uma pessoa feminista você vai ter que passar a concordar com os conceitos que não estão alinhados com esse ideal, não é isso. Mas se você consegue entender a visão de quem está fora das caixas que você se encontra pode ser muito mais fácil pra você explicar seu ponto de vista e fazer com que a pessoa enxergue o que você vê agora. Acredito que essa é uma forma de julgarmos menos as pessoas e a nós mesmos. E uma coisa que temos que lembrar sempre: pra gente chegar onde chegamos com esses rótulos que colocamos pra gente foi preciso um processo muito longo. Não é do dia pra noite que as pessoas vão entender o que você entende e que pra elas também vai fazer sentido. Eu gosto de fazer o exercício de lembrar como a minha cabeça funcionava antes desses conceitos entrarem na minha vida pra que eu possa entender melhor como as pessoas pensam.

3- Como você faz para lidar com a rotulagem e os malefícios que ela traz?

Eu aprendi que nós não podemos controlar o que as outras pessoas pensam de nós, isso não está nas nossas mãos. Eu só posso controlar como eu penso e como eu ajo diante de tudo isso. Se a outra pessoa escolhe me rotular e me julgar este não é um problema meu, não é mesmo? Eu busco ser sempre fiel aos meus valores e as coisas que eu acredito sem diminuir os valores e crenças das outras pessoas.

E quando esse julgamento vem de alguém que eu amo muito e me importo eu procuro conversar com respeito e carinho, entendendo da onde vem aquele pensamento, e explico meu ponto de vista de uma maneira que talvez faça sentido para a outra pessoa e para que ela me entenda. Acredito que essa transformação é feita a partir de conversas amorosas e extremamente respeitosas. É muito difícil que a gente consiga construir um diálogo saudável partindo do ódio.

4- Nós acreditamos que parte da atração que sentimos pelos rótulos vem da necessidade de pertencimento a grupos, mas também acreditamos na possibilidade de grupos heterogêneos que, apesar de unidos por uma ou mais afinidades, respeitam a individualidade de cada um, o que tende a enriquecer o próprio grupo. O que falta para valorizarmos mais as diferenças e como isso poderia mudar a sociedade?

Eu sempre busco olhar para realidades que são diferentes da minha. Acredito que quanto maior nosso repertório com relação a outras vivências mais enriquecedora se torna a nossa. Eu como mulher branca, magra, de classe média não tenho ideia da realidade que mulheres negras, gordas, de classe baixa vivem. Quanto mais entendemos essas diferenças entre todos esses grupos, maior é a nossa capacidade de sentir empatia por essas pessoas. E por mais que a gente não consiga entender na pele o que elas vivem e pensam, nós conseguimos imaginar e respeitar toda essa trajetória.

Não cabe a nós dizer o que é certo e o que é errado para a vida do outro. Da mesma forma que o outro não pode dar “pitaco” na nossa vida. Só nós sabemos o que faz sentido e o que não faz. Acredito, fortemente, que a empatia é a chave para valorizarmos mais todas essas diferenças.

5- Deixe um recado para quem quer consumir com valor e ser mais feliz.

O que eu tento aplicar diariamente na minha vida é entender se tudo o que eu consumo, independente de ser um produto ou um conteúdo, está de fato agregando algo positivo pra mim. Busco fazer tudo com intenção. E constantemente me faço uma perguntinha: “eu tenho orgulho da vida que estou levando?”. Acho que estamos vivendo num momento que todo mundo busca essa tal felicidade e ninguém sabe ao certo o que ela é.

E enquanto estamos nessa busca paramos de prestar atenção nas coisas que estão acontecendo nesse exato momento. Meu pai fala uma frase que eu amo muito: “existem apenas dois dias no ano que não podemos fazer nada, o ontem e o amanhã”. A vida está acontecendo agora, nesse exato momento que você está lendo esse texto. E se ele está fazendo sentido pra você e te agregou em alguma coisa, que ótimo! Esse é um pedacinho de felicidade que passou pelo seu dia. E como esse existem vários, mas nós precisamos estar atentos para desfrutar desses momentos.

Precisamos parar de buscar “chegar lá” e curtir mais o caminho. É nele que aprendemos um monte de coisas, encontramos pessoas incríveis e conhecemos mais ainda quem nós somos. É nessa trajetória que mora a felicidade e não na linha de chegada!

O consumo de valor agradece a participação da Larissa e indica fortemente seu site, seu canal no youtube e suas redes sociais: facebook e instagram!

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