O preconceito e o consumo de valor

Não é novidade alguma que vivemos em um mundo globalizado. Podemos facilmente aprender sobre diferentes culturas, estilos de vida e pessoas. Muitos utilizam a internet para expor suas ideias e pensamentos, permitindo uma troca de experiências nunca vista e nos proporcionando a oportunidade de conviver com pessoas muito diferentes de nós.

Infelizmente também é de conhecimento geral que, apesar de toda essa pluralidade, o preconceito ainda existe e é forte. Mesmo com tanta diversidade e com a possibilidade de aprendermos com ela, muitos escolhem o caminho da ignorância e se mantêm fechados em ideias preconcebidas, perpetuando noções falsas sobre o que é diferente. Preconceitos alimentam ideias que não aceitam prova em contrário, que são fechadas e imutáveis; e como tudo que não aceita mudança, tendem a ser errôneas porque não são melhoradas, não são alteradas de forma a corresponderem com a realidade. O mercado, é claro, incentiva o preconceito, já que ganha muito com ele.

A imposição de padrões

pexels-photo-939328.jpegUm dos benefícios trazidos pelo preconceito ao mercado é a segregação em grupos, pois quando agrupamos pessoas podemos impor padrões a elas, inclusive de consumo. Dessa forma, desconsiderando-se o indivíduo e generalizando os integrantes de determinado grupo, cria-se na consciência coletiva uma expectativa com relação àquelas pessoas. Essa expectativa pressiona os indivíduos para que cada vez mais abandonem sua individualidade e vivam de acordo com os padrões esperados.

A discriminação faz com que vivamos segundo as ordens do mercado, consumindo bens e ideias que ele manda de acordo com o grupo no qual somos encaixados. O resultado nós já conhecemos bem: um consumismo cada vez maior, com pessoas vivendo conforme a expectativa dos outros, sem autoconhecimento e, consequentemente, sem autenticidade e felicidade.

O ataque à autoestima

pexels-photo-54377.jpegA segmentação que advém do preconceito também colabora para que o mercado utilize sua estratégia mais baixa: o ataque à autoestima das pessoas. Uma das formas em que ela ocorre é dentro do próprio grupo, já que a partir do momento em que são impostos a seus membros padrões bem delimitados de comportamento e consumo, os que não se adequam totalmente se sentem inferiores e não pertencentes àquele circulo, o que gera insegurança e solidão.

Outra forma de atingir a autoestima dos consumidores é elegendo os “melhores grupos”, vendidos como aqueles em que todos deveriam querer estar. Essa ideia, que privilegia determinadas características, coloca como inferiores as demais, promovendo os “grupos de elite” ao sucesso e condenando os não escolhidos ao ostracismo.

Quando a autoestima do indivíduo é abalada pelo mercado, um meio que ele tem de tentar se impor é através do consumo, ou seja, tenta compensar o sentimento ruim produzido pelo preconceito consumindo o que faz parte do padrão do grupo ao qual ele quer pertencer. Ainda que as características buscadas sejam fúteis e até impossíveis de serem compradas, quem busca esse tipo de aceitação acaba fazendo qualquer negócio para estar entre os eleitos. Assim, o que antes se limitava a roupas e pequenos bens, hoje se estende até a cirurgias plásticas e outras formas de alteração do corpo, o que só rende mais dinheiro ao mercado.

A restrição a oportunidades

pexels-photo-398532.jpegVivemos numa sociedade com inúmeras demandas e necessidades. Por isso é extremamente saudável e desejável que haja pessoas com habilidades e características diferentes. Quando o preconceito fala mais alto, deixamos de conhecer pessoas sobre as quais já temos um conceito formado. Isso faz com que certos grupos discriminados percam a oportunidade de mostrar suas habilidades e de trabalhar no que são bons.

Com isso, toda a sociedade perde: indivíduos talentosos são subjugados e acabam subvalorizados, enquanto as áreas que poderiam ser beneficiadas pela sua contribuição também saem prejudicadas. A sociedade cresce menos e as pessoas também: os que sofrem o preconceito, porque não podem contribuir plenamente, e principalmente os que praticam a discriminação, pois perdem a chance de aprender com o outro e de superar ideias preconcebidas. Enquanto a sociedade continua caminhando devagar, o mercado voa e desenvolve cada vez mais estratégias para nos envolver e ajudá-lo a atingir seus objetivos, aproveitando a ignorância e a falta de pensamento crítico alimentadas pelo preconceito.

A falta de respeito

pexels-photo-568025.jpegNuma sociedade tão plural e com tanta oportunidade de nos aprimorar, a última coisa de que precisamos é de pessoas fechadas em si, que não querem aprender e se desenvolver. Enquanto existir o preconceito teremos pessoas julgando outras, construindo ideias sobre quem são os outros e deixando de olhar para si mesmos nesse processo.

O consumo de valor se baseia no autoconhecimento porque acreditamos que essa é a única forma de nos desenvolvermos e, consequentemente, de desenvolver o mundo. Quem compra ideias preconcebidas vive refém de uma mente que não é a sua, já que não dá oportunidade para si mesmo aprender e tirar suas próprias conclusões. Por isso trabalha em prol do mercado ao invés de trabalhar pela sociedade e pelas pessoas que a compõem. Mais uma vez temos o preconceito atrasando o crescimento da sociedade enquanto o poder do mercado cresce, nos controlando e determinando o rumo de nossas vidas.

Ou seja…

pexels-photo-943630.jpegO preconceito não traz benefício algum à sociedade, mas ajuda muito o mercado. Quanto mais incentivarmos esse tipo de pensamento, mais isolados viveremos, sem nos lembrar de que somos todos humanos e, portanto, iguais. Apenas o autoconhecimento é capaz de nos permitir viver sem as amarras impostas pelo consumismo, aproveitando a pluralidade do mundo para nos enriquecer e nos levar mais próximos da pessoa que queremos ser.

É necessário que paremos para refletir sobre as ideias que estamos consumindo a respeito das outras pessoas, das generalizações que fazemos e acreditamos. Assim como somos indivíduos únicos, todas as outras pessoas também são, e merecem respeito pela sua individualidade. Sobre esse assunto indicamos o canal da querida Marcela Brito, onde ela debate a mudança que deve acontecer em todos nós. O consumo de valor vem também com esse objetivo: nos ajudar a crescer e a entender que a mudança no mundo vem de nós, conforme vivemos com reflexão e nos baseamos em valores que primam pela coletividade.

2 comentários sobre “O preconceito e o consumo de valor

  1. Essa questão de consumo me fez lembrar que tem loja que dá até medo de entrar vestida “de qualquer jeito” porque o risco de ser maltratada é grande, o que, obviamente, é um absurdo, mas é realidade. No fim das contas, você vale aquilo que parece ter. É como você diz no texto, precisamos nos conhecer e abrir nossas mentes para não repetirmos padrões de comportamento preconceituosos…

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