O consumismo aprisiona

A liberdade provavelmente é considerada, hoje, um dos valores mais importantes em nossa sociedade. Muitos lutaram e morreram para que pudéssemos viver segundo nossas ideias. Apesar disso, sabemos que o caminho para a libertação total é longo e está longe do fim. Um dos capatazes mais fortes que enfrentamos hoje é o consumismo, que, travestido de realizador de sonhos e gerador de felicidade, nos cerca de ilusões manipuladoras com um único objetivo: o de que permaneçamos como seus escravos.

A felicidade pelo consumo

pexels-photo-594421.jpegConsumir gera prazer em todos nós. O ato de adquirir um produto traz consigo a sensação de poder, vaidade e controle. O problema dessa sensação é que, como uma droga, ela é passageira e viciante. Depois que nos acostumamos com uma dose de prazer, precisamos de cada vez mais, e assim entramos num ciclo de consumo – prazer – desprazer – consumo. O consumismo alimenta esse ciclo nos fazendo acreditar que a felicidade só será alcançada na próxima compra. Dessa forma ele planta em nós a tristeza, o vazio e a insegurança. Gerando mais desprazer, nos faz consumir mais, o que mantém essa roda cruel em movimento constante, cada vez com mais força e velocidade, enquanto nos mantém aprisionados dentro dela.

A ideologia de superioridade

pexels-photo-582430.jpegA mensagem do consumismo é clara: “comprando o que nós te dizemos para comprar você será melhor”. Mas o que é ser melhor? No consumo de valor não acreditamos que haja pessoas melhores que outras, mas que existem pessoas que são melhores do que já foram. Pessoas que crescem continuamente e que são cada vez mais livres. Mas como medir essa “melhora”? Acreditamos que a felicidade, a plenitude e o sentir-se bem são a melhor referência. Queremos ser o mais felizes possível, e essa é uma busca interna. Olhando para fora e aceitando julgamentos externos nos esquecemos de quem somos. Admirando imagens construídas e pessoas consideradas perfeitas (muitas vezes irreais, fruto de alterações artificiais) nós participamos de uma ideologia de superioridade, o que a história já nos mostrou ser totalmente aprisionadora e perigosa.

A escravidão imposta aos outros

pexels-photo-296881.jpegDepois que estamos presos ao consumismo acabamos por aliciar outras pessoas para que se juntem a nós. Vemos artistas e pessoas de destaque nos vendendo produtos, ideias e serviços, e acabamos repetindo essa função. Formamos grupos baseados no que possuímos e só aceitamos a entrada de quem corresponde ao nosso padrão de consumo.

Assim passamos a conviver com pessoas que reforçam, para si mesmas e para os outros, a ideia do consumismo, do viver pelos objetos, e viramos todos empregados da sociedade de consumo, dando a ela todo nosso dinheiro e pressionando outros a fazerem o mesmo. Em outras palavras, escravizamos e mantemos escravizados nossos semelhantes e nós mesmos.

A libertação pelo consumo de valor

pexels-photo-754769.jpegO consumo de valor busca a felicidade real. O êxtase efêmero da compra é substituído pelo autoconhecimento e por prazeres duradouros, baseados em valores importantes para cada um. Não procuramos nos sentir bem com o que vem de fora, mas buscamos a paz de seguir nosso caminho de forma livre, tomando nossas próprias decisões e nos responsabilizando por nós mesmos.

Nos aproximamos das pessoas por quem elas são, pelo que pensam e fazem. Valorizamos as diferenças e procuramos manter uma convivência de trocas e compreensão. Não subjugamos ninguém nem nos achamos melhores. Somos o que somos: pessoas diferentes que fazem parte da mesma sociedade. Acreditamos que o primeiro passo para garantir a liberdade dos outros é valorizar a nossa própria liberdade, e conseguimos isso através do consumo de valor.

 

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